De Heloisa Brito a 19 de Dezembro de 2008
Olá!!!
Olá Vitor e todos de Vila Cova!

Hoje vou escrever pra desejar a todos umas boas Festas, e ainda pensando nas minhas fantasias de criança, quando nas noites de Natal ia dormir feliz deitando meus sonhos nos lençóis tecidos com os fios de prata da minha inocência, esperando que o Papai Noel (Pai Natal), sempre carregado com todos os presentes do mundo na sua sacola mágica, inaugurasse a minha manhã com o brinquedo com que ansiei o ano inteiro na minha doce e iluminada infantilidade.
Quantas cartas eu lhe escrevi falando dos presentes desenhados na minha imaginação e que não esquecesse de colocar o tão esperado brinquedo reluzente sobre os meus sapatinhos arrumados debaixo da cama, que mesmo velhinho pelo tempo, eram os meus únicos e necessários depósitos de sonhos. Os mesmos de todas as crianças de uma época em que víamos o Papai Noel somente nos cartões de natal, nas fotos dos jornais, nas maravilhosas criações do nosso espírito, nas férteis aspirações das nossas mentes.
Confesso que não tive tantas decepções. Talvez por ter aprendido desde menina a exigir pouco, os brinquedos que ganhei, se não eram iguais aos encomendados, alguns me surpreenderam, recompensando, assim, o esforço do meu pai, que sempre conseguia uma maneira, Pai Noel, de esconder a sua sempre cruel e indesejável ausência.
A decepção que mais me feria, no entanto, acontecia nas ruas, quando descobria que muitas outras crianças que nada ganharam, por serem crianças pobres. Quanta revolta invadia meu coração infantil vendo o Papai Noel, indiferente, ludibriar o anseio azul-dourado de tantas crianças sonhadoras pelos presentes que deveriam chegar, entrando pelas janelas ou pelos telhados abençoados, mas que acabavam se perdendo nas suas madrugadas.
E o que pensarão as crianças de hoje? Que olham o Papai Noel na televisão, passeando pelos shoppings, sorridente, de bochechas rosadas, que beija suas faces, que promete, olhando nos seus olhinhos delirantes, todos os presentes que só a inocência de uma criança consegue sonhar. Como explicar para essas crianças que nem tudo que ele promete, ele pode cumprir?
Essas crianças já desesperançadas por outras verdades da vida, nunca o perdoarão caso não recebam de suas mãos, que julgam pródigas, amigas, um brinquedo que alimente suas ilusões.
Desejo que nossas almas generosas, justas, presenteiem essas crianças, visando que o Papai Noel possa continuar vivo entre as suas fantasias infantis, sem parecer apenas um mito, uma lenda, uma dolorosa miragem e, assim, possam continuar acreditando que o Papai Noel é o mesmo sempre boníssimo e quase santo "Pai Noel".

Desejo um santo e Feliz Natal a todos.... Boas Festas!

Beijinhos.... beijinhos do Barsil.... de Belém do Pará

Heloisa e Fernando Brito

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